AS ESTAÇÕES DO ANO (1)


O solstício de Inverno

Ao período que o Planeta leva a descrever uma translação à volta do Sol nós chamamos um ano. Ao período que o Planeta leva a descrever uma rotação em torno do seu eixo nós chamamos um dia que é composto de dia e de noite.

Felizmente, a trajectória em torno do Sol não é circular senão não teríamos diferenças de estações, os dias seriam todos iguais e a vida não seria o que é na Terra. Ora, sendo a órbita elíptica, e a inclinação da Terra variar em relação 

ao seu plano orbital, há dois dias durante o ano em que os períodos diurno e nocturno têm exactamente a mesma duração. Aos pontos da órbita em que isso ocorre, em Março (20) e em Setembro (22-23), chamamos equinócios. Onde vivo, no hemisfério Norte e em zonas temperadas, estes definem, respectivamente a Primavera e o Outono boreais. Nos restantes dias do ano, quanto mais nos afastamos dos equinócios, mais os dias são desiguais. A partir do equinócio de Março os dias são mais longos do que as noites, as sementes germinam e a maioria das plantas floresce, e a partir do equinócio de Setembro os dias são cada vez menores do que as noites. Aos pontos em que o período diurno é máximo e é mínimo chamamos solsticios, respectivamente o de Junho (20-21) em que ocorre o Verão e o de Dezembro (21-22) em que ocorre o Inverno, devido à maior ou menor incidência solar neste hemisfério..

Não se percebe porque começa o ano arbitrariamente um pouco mais do que uma semana após a data do solstício do Inverno, pois a partir desta data o Planeta passa a receber mais insolação e a aquecer, iniciando um novo ciclo de vida. Mas também não se percebe por que razão os solsticios e os equinócios separam as estações e não são, pelo contrário, os dias centrais de cada estação: por exemplo, o período nocturno 7 (ou 23) dias depois do solstício de Dezembro é igual ao período nocturno 7 (23) dias antes dessa data, etc. Creio que teríamos, assim, uma descrição melhor do que ocorre na natureza.

A ideia que subjaz à organização das celebrações no passado tem a ver provavelmente com a mitomania teológica à volta do Sol, as religiões solares. O Sol tende a ser encarado e divinizado como fonte de vida (o que é verdade no que respeita à fotossíntese e ao aquecimento dos animais de sangue frio). Esta concepção encarnou no mito de Mitra, a divindade solar cujo nascimento era celebrado a 25 de Dezembro, trazido do oriente por Alexandre o Grande, e reencarnou no Império Romano com o culto do Sol Invictus que passou a presidir ao panteão dos deuses romanos em 274 com o imperador Aureliano, e que era celebrado também a 25 de Dezembro. O seu símbolo era as letras Ki Rô (na escrita grega XP) sobrepostas. 

Quando os judeus imigrantes da seita do nazareno Joshua (vulgar Jesus) contaminaram o estado romano e se apoderaram das suas rédeas, o Dies Natalis Solis Invictus, passou a ser celebrado como o dia do nascimento de Jesus, agora apelidado de Cristo (XPISTOS) e o símbolo Ki Rô passou a ser um dos identificadores dos "cristãos", a nova seita que dominou Roma, perseguiu cruelmente os que permaneceram fiéis às antigas religiões, promoveu as cruzadas, criou a inquisição, patrocinou a escravatura, a colonização e o genocídio à sombra da expansão da "Fé e do Império", envolveu-se em cisões e cruentas guerras intestinas, patrocina o obscurantismo e a pedofilia, protegendo os fortes e poderosos, amando os próximos e odiando os distantes.

O Natal das vaquinhas e dos burrinhos, dos pastores e dos magos é a  PRIMEIRA FAKE NEWS DA HISTORIA DO OCIDENTE! Mais coerente é a árvore de Natal, o pinheiro que ainda se queima no centro de algumas aldeias no interior do País e que fica a arder durante toda a quadra natalícia. Tal como as equivalentes fogueiras de S. João, a árvore e o fogo simbolizam nos solstícios o Sol no expoente máximo da sua actividade ou no seu declínio e renovação.

O Inverno parece ser o lugar da desolação. As árvores, imponentes, cobertas ou não de folhas, destacam-se na paisagem. Um dos próximos postes será sobre elas.

Para todos, um bom solstício de Inverno.

 

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